De repente, não mais que de repente, vi-me assim: atada, tesa, presa, e indefesa, vítima do amor. Em cárcere privado, coração algemado, desejos,descontrolados, Sonhos viciados...Destes um golpe certeiro, fatal, definitivo. Tens-me agora em cárcere, totalmente entregue, prostrada a teus pés, mendigando, implorando, conclamando tua clemência e minutos de tua atenção; um afago, um beijo, e, teu olhar cheio de desejo! Eis-me aqui, uma vítima indefesa do amor,algemada da alma ao coração!
É preciso tentar ser feliz, nem que seja apenas para dar o exemplo. Há pessoas que correm a vida inteira atrás dela, e então a felicidade vira uma inquietação permanente. Ou seja, o sujeito já entrou no território da angústia. A felicidade vira uma prisão. Há momentos na vida, em que se deveria calar e deixar que o silêncio falasse ao coração, pois há emoções que as palavras não sabem traduzir! Reconheço a felicidade pelo barulho que ela faz ao partir.
Ouvi uma historinha linda outro dia. É a historinha de uma ondazinha saltitando no oceano, divertindo-se a valer.Está apreciando o vento e o ar fresco....até que dá com as outras ondas na frente, Arrebentando-se na praia. “Meu Deus, que coisa horrível!”, diz a ondazinha.”É isso que vai acontecer comigo!” Aí chega outra onda e vê a primeira, que está triste, e pergunta: “Por que está triste?” “Você não está entendendo”, diz a primeira onda.”Vamos todas arrebentar! Nós todas vamos acabar em nada! Não é horrível?” Responde a segunda onda: “Não, você é que não está entendendo. Você não é uma onda, você é parte do oceano.”
Buscamos significados mais profundos, porque nos sentimos responsáveis: por nós, pelo outro, pelo mundo, pela vida. E pela morte? Pela morte ás vezes também.Ou, ao menos, pelo que fazemos em relação a ela, ou diante dela. Onde está a nossa essencia? Onde estaremos nós um dia, um dia que pode ser hoje, amanhã, daqui a um mês? Por não saber a resposta, nos defendemos no cotidiano, no trabalho, na arte, na filosofia, na bebida, na droga, na frivolidade, na ideologia - não importa. Em tudo o que de legítimo ou ilegítimo fazem os, nos ocultamos. Porém o olho mágico da que fatalmente virá nos espreita, e dificilmente estaremos preparados. Ninguém nem ao menos sabe nos dizer o que é estar preparado para isso - isso que é a um tempo separação e encontro. A rainha de nossa perplexidade, que torna o presente tão importante, o amor tão urgente, a bondade tão necessária, a ética tão essencial, a arte tão explicável - ela, a majestade morte, deveria nos tornar muito muito melhores do que somos. Muito mais generosos. Muito mais audaciosos. Muito mais abertos para a vida, a alegria, a claridade, em lugar de tão enredados em nossas intrigas mesquinhas, nossas reclamações cotidianas, nossas vinganças minúsculas. Porque só com a vida bem vivida, com decência, coragem e doçura , prepara-se alguém, ainda que sem muita habilidade, para isso que chamamos de morte: que nos espreita na cama, no carro, no avião, na calçada, ou na escola invadida por um terrorista alucinado.
Lembre-se da evidência de sua vida: tudo vem e vai. Isto é chamado o rio da vida. No momento em que você segura algo você está convidando a tristeza porque o universo poderá vir e levar aquilo consigo. Diga a você mesmo que o rio precisa fluir. Não segure nada. No momento em que seguramos algo, perdemos nossa liberdade para aquilo que estamos segurando. E a energia deixa de fluir. - Mike George-